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Jorge Martins afirma, em entrevista, as perspectivas ideológicas do
Grupo - Juventude em Marcha. Diz:
Tudo o que é vivência e experiência do nosso povo é vivido e evidenciado
nas nossas peças, comenta Jorge Martins. Não descansaremos enquanto não
vermos construído este edifício.

Que nos sigam e nos ajudam a construí-lo os nossos sucessores,
acrescenta. Queremos construir as nossas gerações com base na dignidade
e nos valores que nos identifica como Povo e como Nação que passam pela
afirmação da nossa identidade e na valorização da nossa língua materna
sem perder a grande conquista deixada pelo reinol que é o português, a
nossa língua oficial, a nossa língua de fronteira. Por isso e por outros
motivos, utilizaremos também o idioma português nas nossas peças
teatrais e outros como o inglês, o francês e o espanhol, que entram
subtilmente nas nossas dramatizações, pois eles também fizeram parte na
construção dos alicerces da nossa sociedade, remata Martins.
Cabo Verde é sala de visita à todos aqueles que, amigavelmente, nos
queiram abraçar. Por isso, temos de oferecê-los aquilo que dinheiro
nenhum possa comprar – a nossa cultura, a nossa morabeza, as boas
maneiras e a boa educação. E as nossas peças destacam bem estes
detalhes. Para além do locus horrendus, o locus amenus entra da nossa
colectânea. Diz o outro, para se beber mel tem de se beber fel. A nossa
história narra os sofrimentos vivido pelo nosso povo: o abandono da
sociedade reinol, a fome, a estiagem e a seca, o racismo, a
discriminação, a exploração, figuraram como facetas de vida do nosso
povo e que nos ensinaram a viver. Consolávamos com a esperança das
chuvas que vinham e não vinham, do sol, do, mar, da lua e das estrelas e
alegrávamos oferecendo a morabeza, a simpatia e as boas relações de
vizinhança e interpessoais. Assim, não termos dúvidas de que temas como
estes sejam importantes na criação das nossas obras, conclui ainda
Jorge Martins.
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